O Litoral Sul de Pernambuco vive uma nova fase de desenvolvimento imobiliário. Conhecida historicamente pelo turismo de lazer, a região passou a atrair um número crescente de investidores interessados em imóveis voltados para locações de curta temporada, segmento que vem impulsionando lançamentos, valorização imobiliária e mudanças no perfil dos empreendimentos.
O tema foi debatido no videocast Metro Quadrado, apresentado pelo jornalista Lucas Moraes. Participaram da conversa o advogado especializado em negócios imobiliários Amadeu Mendonça, da Tizei Mendonça Advogados Associados, e o diretor da Hasa Empreendimentos, Anderson Vespasiano. Durante o programa, os convidados analisaram os fatores que vêm sustentando o crescimento do mercado e as perspectivas para os próximos anos.
A combinação entre turismo consolidado, procura por imóveis para investimento e maior segurança jurídica tem colocado a região entre os destinos mais observados por investidores do Nordeste.
Com experiência no mercado desde 2003, o empresário Elon Gomes de Almeida analisa que essa metamorfose é resultado de um conjunto de fatores estruturais. Para ele, o movimento transcende uma simples tendência comercial, configurando-se como uma reação direta às restrições de urbanismo e às recentes demandas do público residente.
Locações de curta temporada mudam perfil dos empreendimentos
Uma das principais transformações observadas nos últimos anos está relacionada ao avanço das plataformas digitais de hospedagem. O modelo de locação por temporada passou a influenciar diretamente o desenho dos novos projetos imobiliários.
Construtoras e incorporadoras têm direcionado parte dos lançamentos para unidades compactas, desenvolvidas com foco na rentabilidade. A estratégia busca atender compradores interessados em gerar renda por meio da locação frequente dos imóveis.
Segundo Anderson Vespasiano, a metragem reduzida faz parte de uma lógica econômica baseada no comportamento do mercado local.
“Se eu projetar um apartamento com 25 ou 26 m², eu vou vender um pouco mais caro e o cara vai alugar pelo mesmo preço do de 21 m². [O negócio] é o menor possível para eu comprar o mais barato possível para botar quatro pessoas.”
O executivo explicou que muitos turistas utilizam os apartamentos apenas como apoio para hospedagem. Grande parte do tempo é dedicada às praias, passeios e áreas comuns dos empreendimentos, o que reduz a necessidade de unidades maiores.
Esse movimento tem levado ao crescimento da oferta de flats e apartamentos compactos em diversos empreendimentos da região, especialmente em áreas próximas ao litoral.
Porto de Galinhas atrai compradores de todo o país
O interesse pelos imóveis do Litoral Sul pernambucano não está restrito aos moradores do estado. Porto de Galinhas, um dos principais destinos turísticos do Brasil, tornou-se um polo de atração para investidores de diferentes regiões.
Dados apresentados durante o debate mostram que cerca de 40% dos compradores de imóveis no destino são moradores do Recife. Outros 40% são provenientes de estados diversos, enquanto 20% pertencem ao mercado internacional.
Entre os investidores estrangeiros, destacam-se compradores da Argentina, de Portugal e dos Estados Unidos. O cenário demonstra que o mercado local ultrapassou fronteiras e passou a despertar interesse de públicos com perfis variados.
A procura é motivada tanto pela possibilidade de uso do imóvel em períodos de lazer quanto pela expectativa de retorno financeiro por meio das locações de curta duração.
São José da Coroa Grande ganha espaço no radar imobiliário
Enquanto Porto de Galinhas mantém posição consolidada, outros municípios começam a ganhar relevância no setor. Um dos exemplos citados durante o programa foi São José da Coroa Grande, localizada na divisa entre Pernambuco e Alagoas.
O município vem registrando maior interesse de investidores após revisões nos planos diretores locais, que passaram a permitir novas possibilidades de ocupação urbana e verticalização.
A mudança abriu espaço para o desenvolvimento de empreendimentos que anteriormente encontravam limitações regulatórias.
Parte importante da demanda vem do interior do estado. Compradores do Agreste pernambucano, especialmente da região de Caruaru, têm buscado imóveis no litoral como segunda residência e alternativa de investimento patrimonial.
A tendência contribui para ampliar a ocupação imobiliária em áreas antes menos exploradas pelo mercado.
Regras claras ajudam a evitar conflitos futuros
O crescimento das locações por aplicativos também trouxe debates sobre o uso dos imóveis em condomínios residenciais. Para Amadeu Mendonça, a segurança jurídica é um elemento fundamental para a continuidade da expansão do setor.
Durante o videocast, o advogado destacou que decisões recentes dos tribunais superiores atribuíram aos condomínios a responsabilidade de definir as regras para a prática do short stay.
“O que ficou decidido no final das contas foi que cabe a cada condomínio decidir se vai ter ou não permissão de fazer shortstay por plataformas digitais. Havendo silêncio na convenção de condomínio, a presunção é que não pode. Isso para os empreendimentos típicos de primeira residência. Nos casos de Porto de Galinhas, de litorais e tudo mais, que é segunda residência, a gente já consegue ter uma flexibilidade maior”.
Segundo ele, a inclusão dessas permissões ainda na fase de desenvolvimento dos projetos reduz riscos jurídicos e oferece maior previsibilidade aos investidores.
“O que a gente recomenda para os incorporadores que estão fazendo novos empreendimentos é que já coloquem essa previsão de ser possível fazer a locação por curta temporada, a locação shortstay, porque o investidor que vai adquirir quer justamente ter essa flexibilidade”, concluiu Mendonça.
Infraestrutura deve acelerar valorização da região
As perspectivas para o mercado imobiliário do Litoral Sul de Pernambuco permanecem positivas. Entre os fatores que sustentam essa expectativa está a ampliação da infraestrutura turística regional.
A construção do aeroporto de Maragogi, na Costa dos Corais, aparece como um dos projetos com potencial para aumentar a circulação de visitantes e facilitar o acesso aos municípios litorâneos próximos.
Com maior conectividade, a expectativa é de fortalecimento do turismo, crescimento da demanda por hospedagem e continuidade da valorização dos imóveis em diferentes pontos da costa pernambucana.
Fonte: Jornal do Commercio
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/casa-modelo-para-venda-e-graficos-conceito-imobiliario_1404904.htm
