Após mais de quatro meses de estabilidade, os economistas ouvidos pelo mercado financeiro revisaram para baixo a projeção da taxa básica de juros. Os dados constam do Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, que reúne estimativas de instituições financeiras e consultorias sobre os principais indicadores da economia brasileira. Segundo o levantamento, a previsão para a Selic em 2026 caiu 0,12 ponto percentual, passando de 12,25% para 12,13%, encerrando um período de 18 semanas sem alterações.
Apesar da mudança no horizonte mais longo, o mercado manteve a expectativa para a próxima decisão do Comitê de Política Monetária. A avaliação predominante segue sendo de que o colegiado deve promover um corte na taxa básica, reduzindo a Selic de 15% para 14,5%. Caso a projeção se confirme, será o primeiro recuo desde maio de 2024, quando os juros passaram de 10,75% para 10,5%.
Para os anos seguintes, não houve alterações nas estimativas. A taxa básica continua projetada em 10,5% para 2027, 10% em 2028 e 9,5% em 2029. O cenário indica que, mesmo com a expectativa de início de um ciclo de cortes, os analistas ainda enxergam uma trajetória gradual e cautelosa para a política monetária.
Inflação recua pela sétima semana seguida
O relatório também trouxe nova redução na expectativa para a inflação oficial em 2025. A projeção para o IPCA caiu de 3,95% para 3,91%, um ajuste de 0,04 ponto percentual em relação à semana anterior. Esta é a sétima semana consecutiva de revisão para baixo, sinalizando um alívio gradual nas expectativas de preços.
Mesmo com a sequência de cortes, a inflação projetada permanece acima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central do Brasil, fixado em 3%. O sistema de metas permite variação de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que mantém o índice dentro do intervalo de tolerância, embora ainda distante do objetivo central perseguido pela autoridade monetária.
A leitura do mercado é de que a convergência da inflação ocorre de forma lenta, o que ajuda a explicar a cautela nas projeções de juros mais longas. A dinâmica dos preços segue como principal variável de atenção nas decisões futuras de política monetária.
No campo da atividade econômica, os analistas também promoveram um ajuste, ainda que modesto. A expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto em 2025 subiu de 1,8% para 1,82%. A mudança interrompe um período de dez semanas em que a projeção permaneceu inalterada, indicando uma percepção um pouco mais favorável sobre o desempenho da economia.
Embora discreta, a revisão sugere que parte do mercado vê resiliência em alguns setores da atividade, mesmo em um ambiente de juros elevados e crescimento global mais moderado. Ainda assim, o consenso aponta para uma expansão contida, sem sinais de aceleração mais intensa no curto prazo.
O cenário cambial também foi revisado. A estimativa para o dólar no fim de 2025 caiu de R$ 5,50 para R$ 5,45. Assim como no caso da Selic, trata-se da primeira alteração após 18 semanas de estabilidade. A mudança reflete uma percepção de menor pressão no câmbio, embora o patamar siga elevado e sensível a fatores externos.
O Boletim Focus é acompanhado de perto por investidores, empresas e gestores públicos por funcionar como um termômetro das expectativas do mercado financeiro. As projeções refletem tanto dados recentes da economia quanto sinais emitidos pelas autoridades monetárias e fiscais.
No caso dos juros, a redução na estimativa para 2026 ocorre após um longo período de estabilidade, o que reforça a leitura de que o ciclo de aperto pode estar próximo do fim. Ainda assim, a manutenção das projeções para os anos seguintes indica prudência.
A inflação segue no centro do debate econômico. A sequência de revisões para baixo aponta melhora gradual, mas a distância em relação ao centro da meta mostra que o processo de convergência ainda exige atenção constante.
Já o leve ajuste no PIB e a queda na projeção do dólar completam um quadro de mudanças graduais, sem rupturas bruscas. O relatório desta semana desenha um cenário de ajustes pontuais, no qual o mercado segue reagindo de forma cautelosa às informações disponíveis e mantendo atenção aos próximos dados que possam influenciar as expectativas econômicas.
Fonte: Folha de São Paulo
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