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Marco Juliano Barro analisa o novo papel dos indicadores na gestão industrial 

Pesquisa 365 por Pesquisa 365
19 de outubro de 2026
em Negócios
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Marco Juliano Barro analisa o novo papel dos indicadores na gestão industrial 
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A indústria brasileira enfrenta um cenário em que produzir mais não significa, necessariamente, obter melhores resultados. Oscilações na demanda, custos operacionais e limitações de capacidade exigem das empresas maior precisão na utilização de recursos e no planejamento da produção. Nesse contexto, os indicadores assumem uma função que vai além do acompanhamento de metas: permitem identificar onde estão as perdas, compreender suas causas e direcionar ações para melhorar o desempenho da operação.

Em julho de 2026, o faturamento da indústria de transformação brasileira recuou 2% em relação ao mês anterior, enquanto a utilização da capacidade instalada passou de 77,3% para 77,4%, segundo os Indicadores Industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI). No acumulado de janeiro a julho, o faturamento registrou queda de 0,5% e as horas trabalhadas na produção diminuíram 1% na comparação com o mesmo período de 2025. Os dados revelam um ambiente de atividade mais contida, no qual o controle dos processos e a eficiência no uso da estrutura produtiva ganham relevância. 

Para Marco Juliano Barro, a gestão industrial precisa transformar os dados gerados pela operação em instrumentos de decisão. Isso significa identificar não apenas se uma meta foi atingida, mas quais fatores determinaram o resultado e onde uma intervenção pode produzir efeitos concretos. A gestão à vista contribui para esse processo ao tornar os indicadores acessíveis às equipes e estabelecer uma rotina de acompanhamento que conecta o planejamento à execução.

Indicadores ajudam a localizar perdas e gargalos da produção

O volume produzido é uma das métricas mais conhecidas da indústria, mas, isoladamente, não revela a eficiência de uma operação. Uma linha pode atingir a quantidade planejada e, ainda assim, apresentar elevado consumo de matéria-prima, desperdício, retrabalho ou paradas frequentes. Por isso, a análise do desempenho exige o cruzamento de diferentes indicadores, como produtividade por hora, índice de refugo, tempo de máquina parada, consumo de insumos e cumprimento do planejamento.

A leitura conjunta desses dados permite compreender como uma dificuldade aparentemente pontual pode afetar diferentes etapas da produção. Uma sequência de paradas não programadas, por exemplo, pode comprometer o cumprimento dos pedidos, exigir horas adicionais de trabalho e elevar os custos. Da mesma forma, falhas na padronização de processos podem aumentar o retrabalho e reduzir o aproveitamento dos materiais, mesmo quando o volume final atende às metas estabelecidas.

“Mais importante do que acompanhar a quantidade produzida é entender o que foi necessário para alcançar aquele resultado. Quando os indicadores são analisados em conjunto, a indústria consegue identificar perdas que nem sempre aparecem nos números gerais de produtividade e direcionar esforços para os pontos que realmente comprometem a operação”, afirma Marco Juliano Barro.

A seleção das métricas também interfere na qualidade da gestão. Indicadores precisam estar relacionados aos objetivos de cada processo e ser compreensíveis para os profissionais responsáveis por sua execução. Enquanto a liderança acompanha custos, capacidade e cumprimento das metas, as equipes operacionais precisam visualizar informações diretamente relacionadas à rotina, como paradas, qualidade, ritmo de produção e desperdício. Essa diferenciação evita que o excesso de informações dificulte a identificação das prioridades.

Gestão à vista aproxima os resultados das decisões

A gestão à vista torna o acompanhamento dos indicadores parte da rotina industrial. Por meio de painéis físicos ou digitais, reuniões breves e padrões de comunicação, as informações sobre o desempenho ficam disponíveis para os profissionais que podem atuar diretamente nos processos. O objetivo não é apenas expor resultados, mas criar condições para que as equipes reconheçam desvios, compreendam suas causas e participem da definição de medidas corretivas.

Para funcionar, esse modelo precisa estar associado a uma dinâmica clara de responsabilidades. Quando um indicador fica abaixo do parâmetro estabelecido, é necessário identificar quem conduzirá a análise, quais ações serão adotadas e em que prazo os resultados serão reavaliados. Sem esse encaminhamento, os painéis correm o risco de se tornar apenas instrumentos de exposição de números, sem impacto efetivo na operação.

“A gestão à vista precisa fazer parte da tomada de decisão. O indicador mostra onde está o desvio, mas é a análise das causas, junto às pessoas que conhecem o processo, que permite definir uma ação adequada e verificar se ela trouxe o resultado esperado”, destaca o executivo.

Essa dinâmica também favorece a integração entre setores. Problemas de abastecimento, manutenção, qualidade e planejamento podem ter efeitos simultâneos sobre a produção, exigindo respostas coordenadas. Quando as informações circulam entre as áreas, torna-se possível antecipar impactos, ajustar prioridades e reduzir decisões isoladas que acabam transferindo dificuldades de uma etapa para outra.

Dados operacionais orientam o planejamento para 2027

A consolidação de uma gestão baseada em indicadores também pode ampliar a capacidade de planejamento das empresas. O histórico de produção, os registros de perdas, a frequência de manutenção e a evolução dos custos fornecem subsídios para estabelecer metas, dimensionar recursos e avaliar a necessidade de investimentos. Com essas informações, a indústria pode distinguir problemas recorrentes de situações excepcionais e identificar quais limitações exigem mudanças estruturais.

Na preparação para 2027, esse conhecimento será importante para avaliar a capacidade produtiva disponível, organizar a manutenção de equipamentos, dimensionar estoques e estabelecer prioridades de investimento. A análise de indicadores históricos também permite comparar períodos e verificar se as iniciativas de melhoria produziram resultados sustentáveis, evitando que decisões sejam tomadas exclusivamente com base em percepções pontuais.

A tecnologia amplia as possibilidades de coleta e integração de dados, mas a digitalização, por si só, não garante melhores resultados. A adoção de sistemas precisa acompanhar a maturidade dos processos, a capacitação das equipes e a definição de critérios para interpretar as informações. Sem essa estrutura, a automação pode apenas acelerar a produção de dados, sem resolver os problemas que afetam o desempenho.

Para Marco Juliano Barro, o avanço da gestão industrial depende da capacidade de transformar o acompanhamento em ação contínua. Mais do que estabelecer metas e medir resultados, o desafio está em construir uma rotina na qual as informações contribuam para corrigir desvios, aperfeiçoar processos e orientar escolhas. Nesse sentido, os indicadores deixam de representar apenas o desempenho passado e passam a integrar o planejamento e a evolução da operação.

Imagem: https://www.magnific.com/br/imagem-ia-gratis/retrato-de-engenheiro-no-local-de-trabalho-durante-o-horario-de-trabalho_210196933.htm#fromView=search&page=1&position=7&uuid=aca38a21-0c17-4061-a71d-4b8f06cf5125&track=ais_hybrid&query=industria

Tags: Marco Juliano Barro
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