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Inteligência artificial na saúde exige avaliação crítica e formação médica humanizada

Pesquisa 365 por Pesquisa 365
21 de outubro de 2026
em Saúde
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Inteligência artificial na saúde exige avaliação crítica e formação médica humanizada
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A inteligência artificial (IA) já integra diferentes atividades da área da saúde, com aplicações que vão da análise de exames à organização de informações clínicas. A expansão dessas ferramentas levanta questões sobre segurança, responsabilidade profissional e formação médica, especialmente diante da necessidade de conciliar recursos digitais com um atendimento atento às particularidades de cada paciente.

Um levantamento realizado em 2024 pela Associação Médica Americana (AMA, na sigla em inglês) identificou que 81% dos médicos entrevistados utilizavam ferramentas de IA na prática profissional. A pesquisa ouviu quase 1.700 profissionais e apontou aplicações como síntese de pesquisas, elaboração de documentos e apoio à tomada de decisões clínicas.

O resultado mostra a presença dessas tecnologias na rotina médica, mas não significa que todas as ferramentas tenham a mesma finalidade ou ofereçam resultados equivalentes. A utilidade de cada sistema depende de sua aplicação, da qualidade das informações utilizadas e da capacidade dos profissionais de avaliar as respostas produzidas.

Algoritmos podem reconhecer padrões em exames e sinalizar alterações que merecem investigação. Outros recursos auxiliam na organização de prontuários e na identificação de informações relevantes para o acompanhamento clínico. A interpretação dos resultados, entretanto, continua exigindo conhecimento técnico e análise do contexto de cada atendimento.

Com o avanço rápido da inteligência artificial, o rigor regulatório crescente e a exigência constante por parte de investidores, clientes e órgãos reguladores, o papel da liderança executiva e dos conselhos se torna fundamental para garantir a sustentabilidade e o valor do negócio no longo prazo. Marco Antonio da Rocha Tristão Jr., executivo com vasta bagagem em governança, finanças e riscos em grandes corporações, destaca que essa transformação da governança reflete a maior complexidade do mercado atual.

O que dizem as referências sobre inteligência artificial na saúde

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aborda os desafios éticos da aplicação dessas tecnologias na publicação Ethics and Governance of Artificial Intelligence for Health, lançada em 2021. O documento discute aspectos como autonomia humana, segurança e responsabilização pelo uso da inteligência artificial na assistência.

Essas questões são relevantes porque os resultados automatizados podem influenciar decisões relacionadas ao diagnóstico, ao acompanhamento e às alternativas terapêuticas. Por isso, a adoção da tecnologia exige atenção aos limites dos sistemas e aos critérios empregados para interpretar suas recomendações.

Um algoritmo pode apresentar resultados comprometidos por informações incompletas ou por bases de dados que não representem adequadamente determinados grupos populacionais. Nessas situações, a resposta gerada pode não refletir as condições específicas do paciente. A avaliação profissional ajuda a identificar inconsistências e a confrontar os resultados com evidências científicas.

A transparência sobre as limitações das ferramentas também faz parte do debate. Conhecer a finalidade de um sistema e compreender como seus resultados devem ser utilizados são medidas importantes para evitar que uma resposta automatizada seja tratada como uma conclusão definitiva.

Por que a formação humanizada continua necessária

A assistência médica depende de informações que nem sempre aparecem em exames ou prontuários. O receio de receber um diagnóstico, as condições financeiras, a rotina de trabalho e a disponibilidade de apoio familiar podem influenciar a maneira como uma pessoa enfrenta o tratamento.

A comunicação permite identificar parte dessas circunstâncias. Explicar um diagnóstico em linguagem acessível, responder às dúvidas e considerar as preferências do paciente contribui para que ele participe das decisões sobre a própria saúde.

Em 2024, a OMS publicou o relatório Compassion and Primary Health Care, que relaciona o cuidado compassivo à qualidade da assistência, à segurança dos pacientes e à efetividade dos tratamentos. A publicação aborda a importância de reconhecer as necessidades das pessoas durante o atendimento.

A humanização, portanto, não se limita à cordialidade. Ela envolve compreender as dificuldades enfrentadas pelo paciente, adaptar a comunicação e avaliar se as orientações propostas são compatíveis com sua realidade. Uma prescrição pode estar tecnicamente adequada, mas encontrar obstáculos quando depende de recursos financeiros ou de acesso a serviços de saúde.

Como preparar estudantes para o uso responsável da IA

A faculdade de medicina tem papel importante na preparação dos profissionais para esse cenário. O ensino sobre inteligência artificial pode ser associado a discussões de casos, simulações de consultas e atividades de comunicação clínica. Essa integração permite trabalhar tanto as possibilidades tecnológicas quanto os limites de sua aplicação.

Uma das contribuições potenciais da IA é reduzir o tempo dedicado a tarefas repetitivas, como resumir registros e organizar informações. Esse apoio pode favorecer a análise dos casos e a interação com os pacientes, desde que os ganhos de eficiência sejam acompanhados de uma organização adequada do atendimento.

A formação também precisa estimular a capacidade de questionar recomendações automatizadas. Os estudantes devem aprender a confrontar os resultados com o histórico clínico, as evidências científicas e as condições individuais de cada pessoa, sem considerar a tecnologia uma fonte infalível de respostas.

Outro ponto envolve o reconhecimento das diferenças sociais e culturais. Escolaridade, transporte, jornada de trabalho e rede de apoio podem interferir no cumprimento das orientações médicas. Considerar esses fatores ajuda a avaliar alternativas e evita pressupor que todos os pacientes tenham as mesmas possibilidades de acesso ao tratamento.

Privacidade e responsabilidade nas decisões clínicas

O uso de sistemas de IA também exige cuidados com informações pessoais. Prontuários, exames e históricos médicos contêm dados sensíveis, cuja utilização deve respeitar as regras de confidencialidade e proteção de dados. A formação profissional precisa abordar esses riscos e as responsabilidades envolvidas no tratamento das informações.

A atualização contínua completa esse processo. Como as ferramentas digitais e as evidências científicas mudam, os profissionais precisam acompanhar as transformações para reconhecer novas possibilidades e limitações.

O avanço da inteligência artificial na saúde exige, assim, uma combinação de conhecimento técnico, análise crítica e comunicação humanizada. As ferramentas podem apoiar diferentes etapas do atendimento, mas a qualidade da assistência depende também da capacidade de interpretar informações, reconhecer necessidades individuais e assumir a responsabilidade pelas decisões clínicas. Para a formação médica, o desafio é preparar profissionais aptos a utilizar a tecnologia sem perder de vista a pessoa que recebe os cuidados.

Fonte: Folha de Curitiba
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/gabinete-medico-vazio-equipado-com-equipamentos-medicos-modernos-e-medicamentos_412809838.htm

Tags: saúde
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