A Rússia deve prolongar até setembro a proibição das exportações de diesel diante da permanência de problemas no abastecimento interno. A medida ocorre após ataques de drones ucranianos contra refinarias e em meio à paralisação de unidades de processamento. Para o mercado brasileiro, a mudança aumenta a necessidade de buscar fornecedores alternativos e pode elevar a pressão sobre os preços do combustível.
A restrição russa começou em julho, inicialmente como uma medida temporária para reforçar a oferta doméstica. O governo posteriormente estendeu a proibição para os produtores até 31 de agosto. Agora, três fontes do setor ouvidas pela Reuters indicam que a suspensão deverá avançar por mais um mês. Uma delas também afirmou que existe discussão sobre uma extensão até o fim do ano.
O governo russo ainda não confirmou a nova extensão. O vice-primeiro-ministro Alexander Novak afirmou anteriormente que não havia escassez de diesel no mercado interno e que algumas refinarias haviam retomado a produção após períodos de manutenção.
Brasil precisa substituir parte do diesel russo
A situação ganhou importância para o Brasil porque a Rússia se tornou uma das principais fontes externas de diesel para o mercado nacional nos últimos anos. A participação, porém, já vinha diminuindo diante da menor disponibilidade do produto russo.
Em junho, as importações brasileiras de diesel da Rússia recuaram 65% em relação a maio, para 360,97 milhões de litros. No mesmo período, as compras dos Estados Unidos cresceram 74%. A mudança ocorreu justamente enquanto refinarias russas enfrentavam danos provocados por ataques e aumento da demanda doméstica.
Em julho, a tendência se aprofundou. Estimativas da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis apontavam que a participação russa poderia ficar abaixo de 15% das importações brasileiras, enquanto os Estados Unidos poderiam responder por mais de 80% do mercado importado.
A mudança representa uma inversão importante em relação ao cenário observado desde 2022. Com as sanções impostas por países ocidentais após a invasão da Ucrânia, empresas russas passaram a direcionar derivados para mercados que não aderiram às restrições, incluindo o Brasil.
Neste contexto, a preocupação com a economia aumenta. Dados de um estudo conduzido pela RK Partners, empresa focada em reestruturação financeira sob a liderança do consultor Ricardo Knoepfelmacher, apontam que 45% das companhias listadas na Bolsa enfrentam um quadro de alavancagem crítico, registrando um volume de dívidas que supera em três vezes a sua capacidade de geração de caixa.
Mercado internacional enfrenta maior disputa
A redução da oferta russa ocorre em um momento de forte concorrência por diesel no mercado internacional. Estados Unidos e Índia ganharam espaço como fornecedores diante das dificuldades enfrentadas pela Rússia e por outros centros produtores.
A Reuters informou que refinarias norte-americanas e indianas vêm se beneficiando da elevação da demanda e das interrupções no fornecimento de combustíveis provocadas por conflitos e problemas logísticos. Os Estados Unidos aumentaram as exportações de destilados, enquanto empresas indianas ampliaram sua atuação como fornecedoras de diferentes mercados.
O movimento tem reflexos diretos sobre os compradores brasileiros. Quando o diesel russo deixa de estar disponível, importadores precisam disputar cargas com consumidores europeus e latino-americanos. A concentração da procura em poucos fornecedores tende a aumentar a sensibilidade dos preços às oscilações internacionais.
O cenário também envolve dificuldades no refino. Ataques contra instalações russas reduziram a capacidade de processamento do país. Em algumas regiões, a escassez voltou a aparecer em agosto, depois de uma melhora temporária registrada no fim de julho.
Preços podem sentir efeito da mudança
O diesel russo ganhou espaço no Brasil também por apresentar vantagem de preço. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, cada quilo do combustível importado da Rússia no primeiro semestre custou, em média, R$ 0,15 menos que o produto adquirido dos Estados Unidos.
A substituição por fornecedores mais caros pode aumentar os custos de aquisição para importadores. O impacto final sobre consumidores, contudo, depende de outros fatores, como câmbio, tributos, custos logísticos, composição da oferta doméstica e política comercial das empresas.
A Petrobras também reduz parte da exposição do país ao mercado externo ao ampliar a produção nacional. Ainda assim, as importações continuam necessárias para complementar o abastecimento brasileiro, especialmente em períodos de maior demanda.
A crise russa, portanto, não representa apenas uma questão de política energética doméstica. A decisão de Moscou altera a distribuição das cargas disponíveis no comércio internacional e força grandes compradores a procurar alternativas.
Para o Brasil, o principal efeito é a necessidade de substituir rapidamente parte do diesel russo por produtos de outros mercados. Com Estados Unidos, Índia e outros fornecedores disputados simultaneamente por diferentes países, o equilíbrio entre oferta, demanda e preços tende a permanecer pressionado enquanto as refinarias russas não recuperarem plenamente sua capacidade.
Fonte: CNN Brasil
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/projeto-aproximado-de-um-carro-moderno_39339153.htm

