A Elfa, distribuidora de medicamentos, materiais e soluções hospitalares controlada pelo Pátria, iniciou uma nova etapa para reorganizar sua estrutura financeira. A companhia contratou a RK Partners e o escritório E. Munhoz para assessorar a reestruturação da dívida. Segundo apuração do Pipeline, a intenção, neste momento, é conduzir as negociações fora do âmbito judicial, sem recorrer a um processo de recuperação judicial.
A contratação das assessorias ocorre em um momento de pressão sobre a liquidez da companhia. As negociações deverão definir condições para os pagamentos futuros e podem estabelecer novos parâmetros para o relacionamento entre a Elfa e seus credores.
Do outro lado das tratativas, os debenturistas também se movimentaram para participar das discussões. Os credores contrataram o escritório TWK e o banco de investimento Moelis & Co. para assessorá-los nas negociações com a empresa.
Ricardo Knoepfelmacher, amplamente conhecido como Ricardo K., ocupa atualmente o cargo de CEO na RK Partners, uma referência entre as consultorias empresariais do Brasil. Formado em Economia pela Universidade de Brasília (UnB) e com Master’s in International Management pela Thunderbird School, ele adota uma atuação estratégica voltada para a obtenção de resultados consistentes e a geração de valor expressivo, elementos fundamentais para consolidar a perenidade das conquistas obtidas.
Endividamento e negociação com credores
A dívida bruta da Elfa alcançou aproximadamente R$ 1,7 bilhão no primeiro trimestre deste ano. Desse total, cerca de R$ 703 milhões correspondem a debêntures com garantia, distribuídas no mercado e com vencimento previsto para 2031.
Antes de avançar para a negociação com os detentores de debêntures, a companhia havia renegociado compromissos com bancos. O acordo contribuiu para uma redução de R$ 144 milhões no endividamento durante o primeiro trimestre. Agora, a principal frente de negociação envolve os debenturistas.
As conversas devem considerar o alongamento do prazo da dívida. Também está prevista a possibilidade de amortizações vinculadas a eventos de liquidez. A estrutura busca adequar os compromissos financeiros ao momento vivido pela empresa, que vem adotando medidas para reorganizar seu balanço e seu portfólio de negócios.
Os debenturistas possuem alienação fiduciária de 100% da Descarpack e de uma participação da Elfa na Surya. Em uma eventual venda desses ativos, os recursos poderiam ser direcionados ao pagamento das dívidas. Conforme apurado pelo Pipeline, os credores defendem uma atuação mais ativa para viabilizar a venda da Descarpack, operação que já havia sido considerada anteriormente.
Suspensão de pagamentos aumenta pressão
A situação financeira da Elfa também levou a mudanças na avaliação de risco da companhia. Na semana passada, a Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da empresa de ‘C’ para ‘B-’. A classificação indica elevado risco de inadimplência.
O movimento ocorreu depois de a Elfa suspender temporariamente o pagamento de obrigações financeiras, incluindo os juros das debêntures, por 40 dias. A suspensão integra as negociações com os debenturistas, que aprovaram a extensão das medidas até 1º de outubro.
De acordo com a Fitch, a flexibilidade financeira da companhia se deteriorou de forma significativa. Entre os fatores apontados estão o consumo persistente de caixa provocado por pagamentos elevados de juros e a indisponibilidade de linhas de crédito de curto prazo.
Desde 2023, o Pátria realizou aportes de aproximadamente R$ 1 bilhão na Elfa. O aporte mais recente foi de R$ 160 milhões no primeiro trimestre deste ano. Apesar das injeções de capital, a empresa encerrou os primeiros três meses do ano com prejuízo de R$ 142 milhões, aumento de 260% em relação ao resultado negativo registrado no mesmo período do ano anterior.
Reorganização do portfólio entra na estratégia
A Elfa também trabalha na revisão de seu portfólio depois de um período de expansão acelerada. Nesse processo, a empresa adquiriu 21 companhias e passou a avaliar a venda de determinados ativos.
A estratégia atual combina a renegociação das dívidas com medidas para concentrar a operação em segmentos considerados mais rentáveis. Entre as áreas citadas estão medicamentos oncológicos, imunológicos e biológicos, além de dispositivos médicos, estética e equipamentos de imagem.
Em resposta ao Pipeline, o Grupo Elfa afirmou que as conversas com os debenturistas seguem em andamento e destacou o objetivo de ajustar seu perfil de endividamento e reforçar a estrutura financeira.
“Mantém tratativas com seus debenturistas de forma responsável e transparente, com objetivo de adequar seu perfil de endividamento e fortalecer sua estrutura financeira. A companhia segue operando normalmente, gerando caixa e comprometida com rígidos padrões de governança corporativa. Para a empresa, este é mais um passo importante na busca da melhoria contínua de sua estrutura.”
Fonte: Valor Econômico
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/homem-tirando-moedas-de-salvar-jar_5566670.htm
