O mercado imobiliário do Distrito Federal passa por um processo de reconfiguração impulsionado por mudanças demográficas, restrições territoriais e novas dinâmicas de consumo habitacional. Tradicionalmente marcado pela expansão horizontal, com condomínios e bairros afastados do centro, o modelo começa a ceder espaço para empreendimentos verticais, em regiões com maior infraestrutura urbana e oferta de serviços.
Nesse contexto, o empresário Elon Gomes de Almeida, que atua no setor desde 2003, avalia que a transformação reflete uma combinação de fatores estruturais. Segundo ele, a mudança não é apenas uma tendência de mercado, mas uma resposta a limitações urbanísticas e novas exigências dos moradores.
Elon segue à frente de projetos residenciais e comerciais em Brasília com foco em modelos de ocupação mais densos e alinhados ao perfil atual da população.
Mudanças demográficas e novas demandas
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o tamanho médio das famílias brasileiras vem diminuindo nas últimas décadas, enquanto cresce o número de pessoas vivendo sozinhas ou em arranjos familiares menores. Esse movimento impacta diretamente o tipo de imóvel demandado, favorecendo unidades mais compactas e bem localizadas.
Além disso, o crescimento populacional em áreas urbanas pressiona a ocupação do solo. No Distrito Federal, onde há restrições ambientais e de planejamento urbano, a verticalização surge como alternativa para ampliar a oferta habitacional sem expandir a mancha urbana. Estudos do Sindicato da Habitação do Distrito Federal (Secovi-DF) apontam aumento na procura por imóveis em regiões centrais e com acesso facilitado a transporte e serviços.
Elon Gomes de Almeida afirma que o perfil do comprador mudou e exige soluções mais próximas do cotidiano urbano. Segundo ele, “há uma busca maior por praticidade, mobilidade e integração com a cidade”.
Verticalização e uso mais eficiente do espaço
A verticalização tem sido adotada como estratégia para otimizar o uso do solo e atender à demanda por moradia em áreas consolidadas. De acordo com levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), cidades que incentivam esse modelo tendem a reduzir custos de infraestrutura e ampliar o acesso a serviços públicos.
“A verticalização permite uma ocupação mais racional, principalmente em regiões onde a expansão horizontal se torna inviável. O modelo também favorece a sustentabilidade urbana, ao reduzir deslocamentos e incentivar o uso de transporte coletivo”, afirma.
Novos modelos de negócio ganham espaço
Outro fator que acompanha essa transformação é a diversificação dos modelos de negócio no setor imobiliário. O modelo Build-to-Rent, voltado para locação de longo prazo, tem ganhado espaço no Distrito Federal. Empreendimentos como o Calgary Residential Club e o Residencial Vancouver by Victória refletem essa mudança, ao priorizar imóveis projetados especificamente para aluguel.
Segundo dados da consultoria JLL, o mercado de locação institucional no Brasil tem apresentado crescimento, impulsionado por mudanças no comportamento do consumidor, como maior mobilidade profissional e menor interesse pela aquisição imediata da casa própria.
“O Build-to-Rent atende a uma demanda crescente por flexibilidade ao oferecer alternativas para um público que busca moradia sem necessariamente assumir compromissos de longo prazo com financiamento”, relata.
Planejamento urbano e desafios futuros
Apesar do avanço da verticalização, especialistas apontam que o crescimento precisa ser acompanhado por planejamento urbano adequado. Infraestrutura, mobilidade e acesso a serviços são fatores determinantes para o sucesso desse modelo.
De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a densificação urbana deve ser integrada a políticas públicas que garantam qualidade de vida e equilíbrio ambiental. A ausência de planejamento pode gerar sobrecarga em sistemas de transporte e serviços essenciais.
Para Elon Gomes de Almeida, o desenvolvimento urbano precisa ser conduzido de forma coordenada entre setor público e iniciativa privada. “O desafio está em equilibrar crescimento, infraestrutura e qualidade de vida”.
Perspectivas para o setor
O cenário indica que a verticalização deve continuar avançando no Distrito Federal, acompanhando tendências observadas em outras capitais brasileiras. A adaptação do mercado às novas demandas, aliada à inovação nos modelos de negócio, tende a redefinir o perfil dos empreendimentos nos próximos anos.
De acordo com o empresário, o futuro do mercado passa por soluções mais integradas ao ambiente urbano e às mudanças no comportamento dos consumidores.
Elon Gomes de Almeida

Elon Gomes de Almeida é empresário do setor imobiliário, com atuação consolidada há mais de 20 anos no desenvolvimento de empreendimentos residenciais e comerciais em Brasília. À frente do Grupo Victória, dedica-se à incorporação, construção e gestão patrimonial, com foco em projetos imobiliários e administração de ativos familiares.
