O emprego no setor cultural alcançou em 2024 o maior patamar desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O levantamento divulgado nesta sexta-feira mostra que 5,9 milhões de pessoas trabalhavam em atividades culturais no país, o que mantém a participação de 5,8 por cento dos ocupados registrada no ano anterior. O resultado acompanha o dinamismo do mercado de trabalho brasileiro e consolida a cultura como uma área com presença estável dentro do conjunto da economia nacional.
O estudo integra o Sistema de Informações e Indicadores Culturais, que atualiza dados de 2013 a 2024. Ele reúne informações sobre perfil profissional, escolaridade, distribuição geográfica, níveis de informalidade e rendimento. O material funciona como base para políticas públicas, já que retrata com precisão o cenário de trabalho em artes, patrimônio, audiovisual, design e demais segmentos que compõem o universo cultural.
Escolaridade supera média nacional
Uma das características mais constantes no setor é o grau de instrução acima da média geral. Em 2024, 23,4 por cento dos trabalhadores do país tinham ensino superior completo. No ambiente cultural, 30,1 por cento possuíam diploma universitário. Essa diferença vem sendo observada desde o início da série e indica que carreiras culturais costumam exigir formação especializada ou qualificação técnica prolongada, ainda que muitas delas se desenvolvam de maneira autônoma.
A participação dos estados revela contrastes marcados. São Paulo aparece com o maior percentual de trabalhadores na cultura, com 7,6 por cento dos ocupados. Rio de Janeiro e Ceará surgem empatados, cada um com 7 por cento. Na outra ponta, Acre, Amapá e Rondônia registram os índices mais baixos, variando de 2 a 2,8 por cento. Nas capitais, o destaque ficou com Florianópolis, que atingiu 10,7 por cento. São Paulo veio em seguida com 10,1 por cento e Manaus alcançou 9,4 por cento.
Informalidade elevada
Mesmo com um quadro de maior escolaridade, o setor cultural convive com um nível de informalidade acima da média do mercado de trabalho. Em 2024, 44,6 por cento dos profissionais da área atuavam sem registro formal, enquanto o total de ocupados no país apresentava taxa de 40,6 por cento. O padrão se repete em todas as regiões, embora com intensidades distintas.
Roraima registrou o maior índice do país, com 76,9 por cento de trabalhadores informais. Pará e Tocantins também atingiram patamares elevados, acima de 70 por cento. Santa Catarina ficou com a menor taxa, 30 por cento, seguida por Rio Grande do Sul e Paraná. Os dados mostram que a informalidade continua sendo um desafio central para o setor, que reúne desde artistas independentes até profissionais técnicos e prestadores de serviço ligados a eventos, mídia e produção cultural.
A pesquisa aponta que trabalhadores por conta própria representam a principal categoria dentro da cultura. Em 2024, eles eram 43 por cento dos ocupados. Empregados do setor privado com carteira assinada correspondiam a 34,4 por cento e aqueles sem carteira somavam 14,3 por cento. No conjunto da economia, o cenário é diferente. Os conta próprias eram 25,2 por cento, enquanto o emprego formal no setor privado atingia 37,4 por cento.
Rendimento registra queda
O rendimento médio real do trabalho cultural ficou em R$ 3.266 em 2024. No ano anterior, havia sido de R$ 3.331. Considerando a inflação, o recuo foi de 2 por cento. O contraste com o mercado de trabalho geral chama atenção. Entre 2023 e 2024, o rendimento médio dos trabalhadores brasileiros cresceu 3,5 por cento e alcançou R$ 3.108. O IBGE explica que, com esse movimento, a diferença entre o ganho médio da cultura e o da economia total caiu de 11 por cento a favor da cultura para 5,1 por cento.
As regiões tiveram comportamentos distintos. Norte, Sudeste e Centro-Oeste registraram queda nos rendimentos culturais. Nordeste e Sul apresentaram crescimento de dois dígitos. Dentro dessa distribuição, o estudo revela um recorte de gênero significativo. Em atividades culturais, mulheres receberam R$ 2.560 em 2024. Homens ganharam R$ 3.898. A diferença chega a cerca de 34 por cento e supera a verificada no conjunto dos ocupados, em que as mulheres receberam aproximadamente 22 por cento a menos.
Fonte: Agência Brasil
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