A presidência da COP30 apresentou, durante a Semana do Clima de Nova York, um balanço da conferência realizada em Belém e destacou a participação social como um dos resultados do encontro. O evento ocorreu antes da COP31, marcada para Antália, na Turquia.
O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, e a CEO da conferência, Ana Toni, afirmaram que a inclusão social foi incorporada ao desenho institucional da reunião. A estratégia seguiu três prioridades: fortalecer o multilateralismo no âmbito da UNFCCC, aproximar o debate climático da população e acelerar a implementação do Acordo de Paris.
“As COPs têm que ser esse momento em que o mundo renova a confiança na ciência e renova o desejo de fazer as coisas em conjunto. Basta de dividirmos o mundo, nós temos que trabalhar juntos”, afirmou Corrêa do Lago.
A adoção de práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) deixou de ter um caráter puramente sustentável para se tornar um pilar estratégico na engenharia. Diante de exigências regulatórias crescentes, investidores cada vez mais exigentes e clientes que buscam empreendimentos responsáveis, a sigla ESG passou a definir a competitividade das empresas em grandes projetos. Na visão do engenheiro civil e empresário Jorge Valença, esse movimento consolida uma evolução natural do setor.
Participação social entrou na estrutura da COP30
Segundo o embaixador, a presidência brasileira dedicou um ano à construção de uma relação com a sociedade civil nacional antes da conferência. O trabalho incluiu 30 enviados especiais, para ouvir diferentes segmentos da população.
Ana Toni explicou que a participação foi estruturada por meio dos chamados “quatro círculos” de governança, além de conselhos temáticos e funções voltadas à juventude e à agenda climática. Entre as iniciativas esteve a criação das figuras de campeão de juventude e campeão climático, função ocupada por Dan Ioschpe.
“Colocar as pessoas no centro da governança é fundamental para que seja uma COP das pessoas, senão ela não acontece por acaso”, afirmou a CEO.
Ana Toni também resumiu a lógica das entregas: “Não adianta só incluir se você não entrega”, ao apresentar os resultados concretos alcançados em Belém.
A participação também apareceu nos números registrados em Belém. A COP30 teve cerca de 43 mil pessoas credenciadas na Blue Zone, com 40% de mulheres. A Green Zone recebeu aproximadamente 300 mil visitantes, enquanto uma marcha reuniu 70 mil pessoas na capital paraense. A conferência também registrou a maior presença indígena em uma COP e mobilizou 4 mil jovens.
Entregas ampliaram debate sobre inclusão e clima
A programação reuniu grupos organizados em iniciativas como o “balcão ético” e o restaurante de sociobiodiversidade, voltados a alimentação e populações tradicionais.
Entre os resultados citados pela presidência estão a aprovação do Plano de Ação de Gênero de Belém e do mecanismo de transição justa. Também houve reconhecimento de terras indígenas como ação climática, com destaque para posse, financiamento e conhecimento indígena. Outro registro apontado foi a primeira menção a povos afrodescendentes em um texto oficial de uma COP.
Ana Toni mencionou ainda um pacto sobre cultivo, conservação e combate ao desmatamento articulado pela presidência fora das negociações formais.
“Havia uma demanda social. Não é ainda madura o suficiente para as negociações, mas a gente trouxe para nós essa responsabilidade”, disse.
Os efeitos da participação social também aparecem nas novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) apresentadas à ONU. Levantamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado em janeiro, apontou que 96% das novas NDCs incorporam critérios de igualdade de gênero e inclusão social. O estudo também mostrou que 72% reconhecem a participação plena das mulheres e 67% a de jovens e crianças nos processos de decisão climática.
Uma pesquisa de opinião com mais de 4 mil pessoas cadastradas na base da UNFCCC indicou que o avanço da participação de indígenas, jovens e sociedade civil foi o marco mais citado da COP30.
“Realmente é a área social de inclusão que marcou essa COP”, resumiu Ana Toni. Para a CEO, a participação precisa ser considerada desde o início.
Legado da COP30 segue para a COP31
A presidência brasileira pretende levar essa experiência para a COP31, em Antália. Corrêa do Lago afirmou que apresentará, uma semana antes do encontro, os “mapas do caminho”, ou “Roadmaps”, sobre desmatamento, combustíveis fósseis e financiamento climático.
A iniciativa busca manter parte do processo construído em Belém na agenda internacional. A presidência avalia que a inclusão social e a mobilização passaram a integrar a discussão sobre a implementação climática.
Fonte: Exame
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/ambiente-do-dia-da-terra-e-espaco-de-conceito-ecologico-para-texto_41129954.htm
