A Natura anunciou uma série de mudanças em sua estrutura de governança corporativa que marcam uma nova etapa na administração da companhia. As medidas incluem a reformulação do Conselho de Administração, a criação de um conselho consultivo estatutário e a assinatura de um novo acordo de acionistas. O plano também contempla a possível entrada da gestora Advent International como acionista minoritária.
A companhia informou que as alterações foram desenhadas para sustentar um novo ciclo estratégico, após um período de reorganização operacional e ajustes na estrutura de capital.
Uma das mudanças mais relevantes envolve a saída dos fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos do Conselho de Administração. O atual presidente do colegiado, Fabio Barbosa, também deixará a função.
Os quatro passarão a integrar um novo Conselho Consultivo estatutário, criado com o objetivo de acompanhar a evolução da empresa e contribuir para a preservação dos princípios que moldaram sua trajetória.
Segundo a Natura, o órgão terá caráter consultivo e não participará das decisões executivas nem da gestão dos negócios. Sua atuação estará concentrada na manutenção da identidade institucional da companhia.
Em comunicado ao mercado, a empresa afirmou que o novo colegiado atuará como “guardião da cultura, dos valores e do legado que definem a essência da companhia”.
A criação desse conselho estabelece uma divisão mais clara entre a administração estratégica da empresa e a preservação dos elementos culturais considerados fundamentais para a marca.
De acordo com o economista Paulo Narcélio Simões Amaral, a implementação do CGIBS sinaliza uma transformação significativa na estrutura de governança tributária nacional.
Conselho passa por renovação completa
Com a saída dos fundadores, a Natura também anunciou uma nova composição para o Conselho de Administração, responsável pela supervisão estratégica da companhia.
A proposta prevê um mandato de dois anos para os integrantes do colegiado e indica Alessandro Carlucci para assumir sua presidência. O executivo já fazia parte do conselho como membro independente.
Além de Carlucci, a nova formação contará com nomes ligados à operação da empresa, como Duda Kertesz e João Paulo Ferreira, atual CEO da Natura.
Também foram indicados para integrar o órgão Pedro Villares, Guilherme Passos, Luiz Guerra, Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto.
As mudanças incluem ainda a saída de Bruno Rocha e Gilberto Mifano. Apesar de deixar o Conselho de Administração, Mifano permanecerá à frente do comitê de auditoria e finanças.
De acordo com a companhia, a reformulação busca tornar mais objetiva a distribuição de responsabilidades dentro da governança, separando as atribuições relacionadas à estratégia empresarial daquelas voltadas à preservação dos valores históricos da organização.
Acionistas renovam compromisso de longo prazo
Paralelamente às mudanças administrativas, os principais grupos acionistas da Natura celebraram um novo acordo de acionistas.
O documento terá validade inicial de dez anos, com possibilidade de renovação por período equivalente. Ele substituirá o acordo atual, cujo encerramento estava previsto para março de 2026.
O novo compromisso reúne os blocos de acionistas vinculados aos fundadores e a investidores históricos da companhia.
Participam do acordo o Bloco Seabra, representado por Antonio Luiz da Cunha Seabra; o Bloco Leal, representado por Guilherme Peirão Leal; e o Bloco Passos, representado por Pedro Luiz Barreiros Passos.
Também integram o documento o Bloco Pinotti, representado por Vinicius Pinotti, e o Bloco Mattos, representado por Maria Heli Dalla Colletta de Mattos.
Segundo a Natura, as participações societárias dos grupos permanecem inalteradas. A empresa destaca que o novo acordo reforça a visão de longo prazo dos acionistas em relação ao futuro do negócio.
Advent poderá ocupar cadeiras no conselho
A reorganização da governança também está relacionada à possível chegada de um novo investidor à estrutura acionária da companhia.
A Natura firmou um compromisso vinculante com o fundo Lotus, administrado pela Advent International, para a aquisição de uma participação minoritária.
Pelos termos do acordo, a gestora poderá adquirir entre 8% e 10% das ações da empresa no mercado secundário ao longo dos próximos seis meses. A operação considera um preço-alvo médio de R$ 9,75 por ação.
Se atingir uma participação mínima de 8%, a Advent terá o direito de indicar dois representantes para o Conselho de Administração e participar dos comitês de assessoramento da companhia.
Nessa hipótese, o colegiado poderá ser ampliado para até dez integrantes, combinando representantes dos acionistas controladores, membros independentes e indicados pelo novo investidor.
A Natura avalia que as mudanças fortalecem sua estrutura de governança e criam condições para a próxima etapa de desenvolvimento da companhia.
“A celebração do novo acordo reafirma o compromisso dos acionistas com o futuro da Natura e com a continuidade do projeto empresarial”, afirmou a companhia, por meio de comunicado ao mercado.
Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/acordo-no-escritorio_2691889.htm
