São Luís receberá, entre os dias 17 e 20 de junho, a segunda edição da MIRA, Mostra de Cinema Documental, evento que reúne produções audiovisuais, oficinas, debates e atividades de formação voltadas ao fortalecimento do cinema documental brasileiro realizado por mulheres. Com o tema “Todas as águas correm para o mar”, a programação propõe discussões sobre memória, ancestralidade, identidade e criação artística, reunindo profissionais de diferentes regiões do país.
A iniciativa busca ampliar a circulação de obras documentais e criar espaços de reflexão sobre a presença feminina no audiovisual nacional. Além das sessões de cinema, o público poderá participar de encontros com realizadoras, oficinas especializadas e atividades voltadas à formação de novos espectadores.
A edição de 2026 foi organizada pelas curadoras Ingrid Barros, Camila Soares e Edileuza Penha. Segundo a proposta do evento, o tema escolhido utiliza a água como representação do fluxo de saberes, das conexões entre gerações e da construção coletiva da memória por meio do cinema.
As atividades serão distribuídas em diferentes espaços culturais da capital maranhense, com destaque para o Espaço Cultural Humberto de Maracanã e o Teatro da Cidade, conhecido como Cine Roxy.
Sob a direção de produção de Celina Torrealba e Sergio Carpi, o evento #LINK – Encontro de Indústria Ibero-Americano de Cinema Documental reuniu 40 projetos de filmes e séries documentais de diferentes países.
Programação reúne debates sobre cinema, memória e representatividade
Um dos principais objetivos da mostra é promover o intercâmbio entre cineastas, pesquisadores, estudantes e o público interessado na produção documental contemporânea. Para isso, a programação foi estruturada com diferentes formatos de participação.
Entre os destaques está a roda de conversa Cinema Documental no Feminino, que reunirá Antônia Ágape, Safira Moreira e Karol Maia para discutir experiências de mulheres na produção cinematográfica brasileira.
Também integra a agenda a mesa Eu Sou Uma Cineasta: Cinema, Memória e Travessia, com Antônia Ágape e Carine Fiúza. O encontro abordará temas relacionados à preservação da memória audiovisual e aos caminhos percorridos por mulheres no cinema brasileiro.
Outro momento importante será a aula magna Tecendo Imagens, Bordando Memórias: Cinema Negro no Feminino, ministrada por Edileuza Penha. A atividade discutirá a contribuição das mulheres negras para a produção audiovisual e para a construção de narrativas que valorizam diferentes perspectivas históricas e culturais.
Durante a programação também ocorrerá o lançamento do filme “Aqui não entra luz”, dirigido por Karol Maia.
Oficinas ampliam formação técnica no audiovisual
Além das exibições e debates, a Mostra MIRA investe em ações de capacitação voltadas tanto para profissionais quanto para pessoas interessadas em ingressar no setor audiovisual.
Uma das oficinas previstas é Cinema Possível: Direção de Fotografia Inventiva, conduzida por Rafaella Gonçalves, que apresentará alternativas criativas para a construção da linguagem visual em produções cinematográficas.
Outra atividade será Onde o Filme Deságua: Redes de Articulação e Cinema de Impacto, ministrada por Camila Soares. A oficina abordará estratégias de circulação das obras e formas de ampliar o alcance social das produções documentais.
Também faz parte da programação a oficina Política da Memória, Imagens e Narrativas Negras, conduzida por Safira Moreira. A proposta é discutir a construção de registros audiovisuais voltados à preservação das memórias e das experiências negras no Brasil.
O evento ainda reserva espaço para o público infantil por meio do Cine Erê, iniciativa que aproxima crianças do universo do cinema documental e fortalece o diálogo entre cultura e educação.
Encerramento reúne cinema, performance e cultura popular
O último dia da mostra contará com a exibição do longa-metragem “Cais”, seguida da apresentação da performance “Mojubá”, assinada pela artista Correnteza Braba.
Na sequência, o público acompanhará um cortejo conduzido por Mestra Roxa e pelas Caixeiras, encerrando a programação com uma celebração que une audiovisual, manifestações populares e tradições culturais.
A proposta reforça o diálogo entre diferentes expressões artísticas e amplia o alcance da mostra para além das salas de exibição.
Antônia Ágape é destaque da edição de 2026
A segunda edição da MIRA presta homenagem à cineasta paraibana Antônia Ágape, considerada uma das pioneiras negras do audiovisual na Paraíba e uma referência na história do cinema brasileiro.
Formada em Cinema Direto pela Associação Varan, em parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), ela dirigiu o curta-metragem “As Cegas”, lançado em 1982. A produção permaneceu sem exibição pública por mais de 40 anos.
A obra foi redescoberta durante a pesquisa desenvolvida pela cineasta e pesquisadora Carine Fiúza sobre a participação de mulheres negras na história do audiovisual brasileiro. Desde então, o filme passou a representar a importância da preservação do patrimônio cultural e do reconhecimento de trajetórias que permaneceram pouco visíveis ao longo das últimas décadas.
Ao reunir exibições, formação técnica, debates e atividades educativas, a Mostra MIRA fortalece a circulação do cinema documental brasileiro, amplia espaços de reflexão sobre diversidade na produção audiovisual e incentiva novas gerações de realizadoras e espectadores.
Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/imagem-ia-premium/um-grupo-de-pessoas-reunidas-para-assistir-a-um-filme_402745125.htm

