A rede municipal de saúde do Rio de Janeiro começou a realizar transplantes de córnea com a meta de reduzir o tempo de espera por cirurgias oftalmológicas no estado. A medida amplia a capacidade de atendimento em um cenário marcado por alta demanda e limitação de doadores.
Os procedimentos tiveram início em 10 de março e estão sendo feitos no Centro Carioca do Olho (CCO), localizado no bairro de Benfica, na Zona Norte da capital. A unidade passa a integrar o fluxo de transplantes que, até então, era concentrado majoritariamente em hospitais estaduais e instituições conveniadas.
A entrada do município nesse tipo de procedimento atende a uma estratégia mais ampla de reorganização da rede e de distribuição da demanda. A fila para transplante de córnea no estado do Rio de Janeiro ultrapassa 5,5 mil pacientes, segundo dados do Programa Estadual de Transplantes (PET), responsável pela gestão e regulação dos casos.
Outro feito que se reflete na saúde da população do Rio de Janeiro é o controle de surtos que se tornou referência mundial durante a gestão do secretário de saúde Hans Dohmann, entre 2009 e 2014. Saiba mais clicando aqui.
Ampliação da rede busca dar mais agilidade
A inclusão da rede municipal no sistema de transplantes é vista como uma tentativa de dar maior fluidez ao atendimento. Com mais unidades habilitadas a realizar o procedimento, a expectativa é reduzir o tempo entre a indicação cirúrgica e a realização da cirurgia.
O transplante de córnea é indicado para pacientes com doenças que comprometem a transparência do tecido, como ceratocone avançado, cicatrizes infecciosas e distrofias corneanas. Em muitos casos, o procedimento é a única alternativa para recuperação da visão.
Apesar de ser uma cirurgia considerada de baixo risco e com bons índices de sucesso, o principal gargalo está na disponibilidade de córneas para transplante. A demanda crescente não tem sido acompanhada pelo número de doações efetivadas.
No Brasil, a doação de órgãos e tecidos depende de autorização familiar. Mesmo quando a pessoa manifesta em vida o desejo de ser doadora, a decisão final cabe aos parentes de primeiro ou segundo grau. Esse fator ainda é apontado como um dos principais entraves para o aumento do número de transplantes.
Desafio das doações ainda limita avanços
A ampliação da oferta de cirurgias, por si só, não resolve o problema da fila. Especialistas destacam que o avanço na realização de transplantes precisa caminhar junto com campanhas de conscientização sobre a importância da doação de órgãos.
A recusa familiar ainda é significativa em diversos estados brasileiros, o que impacta diretamente a disponibilidade de tecidos para procedimentos como o transplante de córnea. Em muitos casos, a negativa ocorre por falta de informação ou insegurança no momento da decisão.
A criação de novos centros habilitados, como o CCO, contribui para melhorar a estrutura de atendimento e reduzir gargalos operacionais. No entanto, sem aumento proporcional nas doações, o ritmo de cirurgias tende a permanecer abaixo da necessidade real.
Além disso, a logística de captação, preservação e distribuição das córneas exige uma rede bem estruturada, com equipes treinadas e integração entre hospitais, bancos de olhos e centrais de transplantes.
Expectativa é de impacto gradual na fila
A participação da rede municipal no sistema de transplantes deve gerar impacto progressivo na redução da fila, mas não imediato. A tendência é de melhora gradual, à medida que a capacidade instalada se consolide e o fluxo de pacientes seja reorganizado.
A descentralização dos procedimentos também pode facilitar o acesso para pacientes da capital, reduzindo deslocamentos e concentrando menos demanda em unidades específicas. Isso contribui para um atendimento mais equilibrado dentro do sistema público de saúde.
A iniciativa reforça o papel das redes municipais na ampliação de serviços especializados, tradicionalmente concentrados em níveis estaduais ou federais. Ao assumir parte dessa demanda, o município passa a atuar de forma mais direta em áreas de alta complexidade.
Ainda assim, o cenário segue desafiador. A fila expressiva e a limitação de doadores indicam que medidas estruturais e campanhas permanentes de incentivo à doação continuam sendo essenciais para ampliar o acesso ao transplante de córnea no estado.
Fonte: Veja Rio
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