O Brasil tem avançado na consolidação de um papel estratégico no cenário internacional de logística, segundo avaliação do secretário-executivo do Ministério de Portos e Aeroportos, Tomé Franca. Em evento realizado nesta segunda-feira (9), no Rio de Janeiro, ele afirmou que o país vem se posicionando como um “hub de logística global”, impulsionado por um modelo regulatório considerado técnico e independente, além do crescimento recente no número de concessões.
A declaração foi feita durante o seminário “Superciclo de Investimentos em Infraestrutura – Avanços e Desafios”, promovido na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O encontro reuniu autoridades e representantes do setor, entre eles o ministro das Cidades, Jader Filho, e discutiu caminhos para ampliar a participação privada em projetos de infraestrutura.
Na avaliação de Franca, a estrutura institucional brasileira, especialmente a atuação das agências reguladoras, tem sido um diferencial para garantir previsibilidade e segurança aos investidores. Ele também destacou a interlocução com o Tribunal de Contas da União (TCU), apontada como fator relevante para o amadurecimento dos projetos e para o aumento da confiança no ambiente de negócios.
“O diálogo com o TCU tem contribuído para maior crescimento da infraestrutura no país”, afirmou.
Outros polos promissores são Emirados Árabes Unidos e Países do Golfo, que na avaliação do especialista em estratégias de expansão e investimentos e diretor da Tropicool, Rodrigo Godoi Rincon, serão o próximo mercado estratégico para alimentos e bebidas premium. Saiba mais clicando aqui.
Crescimento das concessões e ambiente regulatório
Nos últimos anos, o Brasil ampliou o volume de concessões em áreas como portos, aeroportos e rodovias. Esse movimento tem sido acompanhado por ajustes institucionais e por uma tentativa de tornar os processos mais transparentes e eficientes, algo frequentemente citado por agentes do mercado como essencial para a atração de capital privado.
Para o secretário-executivo, esse conjunto de fatores tem permitido ao país não apenas avançar internamente, mas também se posicionar de forma mais competitiva no fluxo global de mercadorias. A combinação entre infraestrutura em expansão e um arcabouço regulatório mais estável tende a reduzir riscos e aumentar o interesse de investidores estrangeiros.
Ainda assim, Franca reconheceu que o cenário exige atenção constante. Ele listou cinco desafios considerados centrais para sustentar o ritmo de crescimento dos investimentos no setor.
Estabilidade institucional e segurança jurídica
O primeiro ponto destacado foi a necessidade de estabilidade institucional. Segundo ele, projetos de infraestrutura envolvem prazos longos e volumes elevados de recursos, o que torna indispensável a existência de regras claras e previsíveis.
“Quem investe em infraestrutura, com longo prazo e investimentos vultuosos, precisa de regra, segurança jurídica, a regra do jogo”, disse.
Esse aspecto é frequentemente apontado como decisivo em análises de risco feitas por investidores. Mudanças abruptas em normas ou insegurança jurídica podem comprometer a viabilidade de projetos e afastar interessados.
Planejamento de longo prazo como diretriz
Outro desafio citado foi o planejamento contínuo e de longo prazo, atribuição que Franca associou diretamente ao papel do governo. Ele ressaltou que a definição de prioridades e diretrizes ajuda a organizar demandas e a orientar decisões, inclusive diante de pressões locais.
“O planejamento é um norte importante” e ajuda quando há demandas de prefeitos e parlamentares, afirmou.
A ausência de planejamento estruturado costuma gerar gargalos e atrasos, além de dificultar a integração entre diferentes modais de transporte, como rodovias, ferrovias e portos.
Financiamento, inovação e compromisso ambiental
Além dos aspectos institucionais e de planejamento, o secretário-executivo mencionou a importância de ampliar o acesso a financiamentos estruturados. Projetos de infraestrutura exigem modelos financeiros complexos, que combinem recursos públicos e privados, além de instrumentos que reduzam riscos e viabilizem a execução.
A inovação contínua também foi apontada como elemento essencial. Segundo Franca, a incorporação de novas tecnologias pode aumentar a eficiência operacional e reduzir custos, fatores que impactam diretamente a competitividade do país.
Por fim, ele destacou o compromisso socioambiental como um dos pilares para o avanço do setor. A agenda ambiental tem ganhado peso nas decisões de investimento, especialmente entre grandes fundos internacionais, que exigem padrões mais rigorosos de sustentabilidade.
Debate sobre o futuro da infraestrutura
O seminário no BNDES ocorre em um momento em que o Brasil busca acelerar investimentos para reduzir gargalos históricos em logística e mobilidade. A expectativa do governo e de agentes do mercado é que um ciclo mais robusto de projetos contribua para o crescimento econômico e para a integração do país às cadeias globais de produção.
As falas de Franca refletem uma visão compartilhada por parte do setor, que enxerga avanços recentes, mas ainda identifica desafios relevantes. A combinação entre estabilidade institucional, planejamento consistente e inovação tende a definir o ritmo dessa trajetória nos próximos anos.
Fonte: CNN Brasil
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